por Gisele Honscha
Sou uma pessoa nostálgica. Sofro de saudade crônica e adoro ficar lembrando com os amigos como era legal aquela fase em que a gente fazia e acontecia. Curto esses momentos de enaltecimento a um passado mais analógico, mas que fique claro de uma vez: eu sou mesmo é geek. Uma geek retrô?
No tempo da internet discada era lindo ligar pelo computador para sei lá onde e depois ouvir aquele barulhinho agudo seguido de um chiado infernal… Ou era o contrário? Lógico que não tenho saudades dessa época no sentido de “puxa, coisa boa era se conectar a 56 kbps”. Na verdade, fico nostálgica quando lembro dos sentimentos que surgiam logo depois de ouvir aquela chiadeira: era tudo mágica!
O grande barato da internet sempre foi poder se conectar a pessoas. Documentos, notícias, músicas e vídeos são legais, mas nada supera conhecer gente nova, manter contato com amigos que estão longe, jogar conversa fora com desconhecidos, ou trocar mensagens com o colega que está ao lado. E isso a conexão à lenha já fazia por você: ah, como era bom o mIRC! Desse sim eu sinto falta, meu primeiro grande amor internético.
Além das tecnologias da internet da pedra, eu sinto saudades também do período pré-digital. As estratégias e abordagens de paquera sofreram grande transformação com o advento do Orkut, MSN e similares, e, por mais que facilitem a vida de todos, seu uso desenfreado para objetivos de acasalamento acabaram com parte do encanto, exterminaram o mistério e por pouco não aniquilaram com o frio na barriga.
Na próxima vez que você começar um rolo com alguém, seja bravo e não veja seu Orkut, não dê seu MSN, não siga no Twitter e muito menos procure seu nome no Google. Peça seu telefone e apenas ligue. Convide para sair; busque na faculdade ou no trabalho. Tente conhecer a pessoa conversando olho no olho.
Duvido que consiga!!

Gisele Honscha é autora do www.giseleh.com








7 Comentários
Eu tava mesmo falando com uma amiga faz um tempo sobre como a “web social” modificou os relacionamentos. Quando tu conhecia alguém no mIRC tu conversava, se divertia, conhecia afinidades e traços da personalidade da pessoa, etc. Claro que depois descobria que faltavam três dentes, mas tudo bem porque a pessoa era tão legal que valia a pena ter conhecido =) Hoje não tem emoção nenhuma. Sem ter trocado duas palavras com qualquer um já sabemos muita coisa sobre as pessoas, muitas vezes descartamos possíveis amizades por conhecer antes da hora algum detalhe desagradável que relevariamos se descoberto na hora certa! Grande texto Gisele, parabéns!
Thalles, que legal que você gostou.
Também morro de saudade do o-ou do ICQ, eu quero!!! o/
E pintou um clima, aí?
Ahhhh… conversem ao vivo, hein?
Hahaha.. brincadeira.
Bjs, valeu os comentários!!
Um amigo meu da Unicamp que passou via bluetoth. Se você não achar pela internet, depois coloco em algum local como rapidshare ;D
Beijo!
Ah! não fode!! hahahaha me passa esse toque, Anne!!! tem como???
Valeu! Bjos!
Haha! Thalles, no meu celular quando tem mensagem nova ele apita com um sonoro e adorável “o-ou”!
A chiadera da conexão discada deixa saudade mesmo. E vc foi absolutamente feliz ao dizer que o lance não era os 56 kbps (desses ngm sente saudade), mas a sensação de ter feito uma mágica, de estar em contato com um mundo mágico.
Acho que faltou falar dos barulhinhos do ICQ. Ah, como eu gostava de ouvir “o-ou”!!
Atualmente sinto que muito rolos só começam por uma foto bonita no orkut ou avatar do twitter. Ou o contrario, muitos rolos terminam por essa “investigação” do “alvo”…e isso destroi a emoção da descoberta de coisas minimas que fazem muita diferença.