por Daniela Arrais
O nosso amor acabou, mas sei o que você fez, onde e com quem você bebeu, que música você escutou e que filme te deixou em prantos. De um longe tão perto, ouvi dizer que você passa bem demais sem me ter na sua vida.
Vejo o sorriso que eu insistia em arrancar estampado como se em uma banca de revistas. Aquele bando de gente ao seu redor só precisaria da legenda: sou muito mais feliz do que fui em todas as suas tentativas.
Não, não é drama. É só uma constatação inevitável. Nem eu nem você somos da turma das animações no scrapbook, tampouco daquela que se comunica por apresentações de PowerPoint.
Ah, não, pera aí. Nem eu nem você somos da turma meu-querido-diário-hoje-comi-alcachofra-e-ri-muito-com-a-novela. Isso a gente fazia antes dos 20 anos, sem saber que existe um tal site na internet que guarda pra sempre aquelas besteiras que a gente não tinha vergonha de escrever, muito menos de publicar.
Mas não dá pra evitar: somos da turma que, entre um post e outro, enfia uma música, um trecho de filme, uma poesia, uma foto, qualquer coisa que atinja em cheio o coração do ex-amor… A turma que acorda, escova os dentes, liga o computador e vai procurar esses pequenos rastros que dizem alguma coisa quando não se tem mais nada pra falar cara a cara.
Stalker? É esse o nome? Ah, pode até ser… Mas é você que coloca tudo ali, né? Então não reclama…
É ruim? Só não é pior do que esse silêncio forçado, mais ensurdecedor do que qualquer hardcore feito por meninos de 13 anos.
Se vai ser sempre assim? Não, não, passa. Demora _às vezes, uma eternidade.
Quando você criar outro blog, deixar de atualizar o Flickr, me tirar do seu Orkut e trancar sua conta no Twitter, a recuperação vai ser mais rápida e eficiente. Por enquanto, o Ministério do Coração Partido adverte: quer ser stalker? Então agüenta, coração!
Daniela Arrais não tem seus dias de stalker (NOT!)







One Comentário
fodástico!