POR UM PUNHADO DE DÓLARES A MAIS

por Marcelo Andreani

Há pouco tempo, numa decisão completamente nonsense, a justiça americana condenou Jammie Thomas, uma mãe solteira de quatro crianças, a pagar quase dois milhões de dólares (!) pra associação das gravadoras americanas, por ter baixado 24 (!!) músicas no Kazaa. Dá mais de 83 mil dólares POR MÚSICA! O site Gapers Block converteu o tempo de prisão nos dólares que a pessoa deixará de ganhar ao longo daquele tempo (cada ano equivaleria a uma perda de mais de 50 mil dólares, tomando por base a renda média anual americana), e somou isso à multa para cada infração, chegando numa fórmula para comparar a sentença de Jammie a algumas outras penas.

Surpresa! Baixar música online tem pena mais severa do que, por exemplo, homicídio passional (máximo de 15 anos na prisão = 778 mil doletas). Estranho, não? Parece que, hoje em dia, crime mesmo é perder dinheiro. Essa ladainha acontece desde a Idade Média internética – época de MIRC (hein?) e NETSCAPE (oi?), pré-MSN, FIREFOX, TORRENT e afins. O marco inicial foi quando a banda Metallica processou o Napster (lembram?) e acabou com o programa que abriu caminho para os compartilhadores p2p.

Há mais de 10 anos, então, as gravadoras batem cabeça em torno de um modelo ultrapassado. Apesar disso, surgem iniciativas que (esperançosamente) podem mudar a cara da indústria musical e do compartilhamento de arquivos num curto ou médio prazo. O Radiohead lançou seu último álbum, In Rainbows, na internet em www.inrainbows.com. Os fãs pagavam o valor que achavam justo – e isso podia significar até o download gratuito das faixas. Só alguns meses depois a banda lançou a cópia física do trabalho, que, além do CD, incluía um livreto com as letras do disco e adesivos pra que o comprador montasse a sua própria embalagem.

Num mundo onde a produção é tão preciosa, pode parecer loucura colocar suas músicas gratuitamente na internet. Mas essa é a realidade atual. E, sinceramente, se as gravadoras – famosas por repassar uma mixaria das vendas de CDs aos artistas – quiserem continuar ganhando seu dinheirinho nada suado, que tratem de se mexer!

Marcelo Andreani é protocineasta, pseudoescritor, aspirante a tradutor, tenista frustrado e fotógrafo amador. Escreve (eventualmente) em The Road.

Marcelo Andreani é protocineasta, pseudoescritor, aspirante a tradutor, tenista frustrado e fotógrafo amador. Escreve (eventualmente) em On The Road.

 


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